Sempre me intrigaram as pessoas que mal chegam a casa, sejam 11 da noite, sejam 4 da tarde, automaticamente despem o que têm vestido e enfiam o pijama/calça de fato de treino e a chanata/pantufa.
Entendo que seja confortável, entendo que um pijaminha seja cosy, mas às 4 da tarde?
Um pijama, homens e mulheres do mundo, serve para dormir.
Em minha casa agora existe um, vá, animalzinho desta espécie. Aliás, pertence a uma espécie ainda mais desenvolvida, ele é o supra-sumo do -tira-a-calça-e-a-camisa-e-mete-a-swet-. A sério, o gajo faz aquilo em questão de segundos. Ontem chegámos a casa ao mesmo tempo, e foi o tempo de virar costas, pousar as chaves e o casaco e o porco já estava na cozinha de pijama; inacreditável, os meus parabéns.
De realçar que costuma tomar banho após o jantar, o que faz com que: chegue a casa, vista o pijama, coma, vá tomar banho e vista o pijama outra vez.
Para uma coisa que era suposta ser "para descontrair" parece-me uma enorme trabalheira.
E isto claro sem esquecer as noite em que há convidados para jantar.
Então ai atenção: (fôlego) chega a casa, despe-se, veste o pijama, vai jogar um bocado de PES, ajuda na cozinha, despe-se, veste uns jeans e uma t-shirt, janta, despede-se dos amigos, despe-se, vai tomar banho, veste o pijama.
No fundo este homem troca mais vezes de roupa do que uma mulher num freeshop em saldos.
Além da arte de vestir o pijama este senhor tem outra grande qualidade: come com o mínimo de talheres/movimentos possível.
Ora bem, antes de mais uma mesa posta (segundo as características desta espécie) é considerada um prato, um copo e um garfo ( o garfo do lado direito do prato obviamente visto que facas, em Itália, só em ocasiões especiais).
O braço esquerdo coloca-se estratégicamente num ângulo de 45 graus descendente ( f(x) - y= -x +1 ) em que toda a mão e pulso ficam fora da mesa. O braço direito é apoiado pelo cotovelo, e move única e exclusivamente a parte anterior do braço que sobe e desce num ângulo nunca superior à distancia necessária pelo garfo de fazer o percurso prato-boca.
Quando o alcance do copo é imprescindível, a mão direita abre ligeiramente de forma a deixar cair o garfo com um som considerável de porcelana a estalar, abrindo desta forma alas para agarrar no copo e sossegar a sede ( nota- o cotovelo nunca se move um milímetro que seja da superfície da mesa).
Fascinante, é como observar macacos a utilizar ferramentas.